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Talento brasileiro no exterior é destaque do 1º Prêmio Diáspora Brasil



Seis brasileiros que vivem nos Estados Unidos e atuam em diferentes áreas do conhecimento tiveram seus talentos reconhecidos pelo governo brasileiro durante a entrega do 1º Prêmio Diáspora Brasil. O evento, realizado na manhã desta quarta-feira, 28, no Palácio Itamaraty, em Brasília, reuniu ministros de Estado e outras autoridades que entregaram troféus e diplomas aos vencedores. O prêmio simboliza o reconhecimento aos cidadãos brasileiros que vivem fora do país e tenham destaque nas áreas de ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo, que contribuem para a construção de uma imagem positiva do Brasil no exterior e para o avanço da competitividade brasileira. “Os desafios que enfrentamos hoje são baseados na economia do conhecimento. Por isso, é importante que esses cérebros brasileiros que vivem no exterior estejam também a serviço do Brasil”, declarou o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges Lemos.

 

 

O ministro do Desenvolvimento explicou que a Diáspora é uma espécie de plataforma de compartilhamento do conhecimento. “Queremos trazer todo o conhecimento científico e transformá-lo em conhecimento tecnológico. Tenho certeza que todos os brasileiros que vivem fora têm o interesse e o objetivo de contribuir com o desenvolvimento do nosso país. Podem contar com o apoio do governo brasileiro”, afirmou.

 

O presidente da comissão julgadora do 1º Prêmio Diáspora foi o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo. Ele explicou que um dos principais papéis do Itamaraty é garantir que, mesmo distante, o cidadão brasileiro mantenha estreitos laços com o Brasil. “É nesse contexto que se insere o programa Ciência Sem Fronteiras, ambicioso programa do governo brasileiro de capacitação dos nossos jovens nos melhores centros e universidades do mundo”, avaliou.

 

O ministro das Relações Exteriores fez questão de ressaltar aos vencedores do 1º Prêmio Diáspora Brasil que o reconhecimento é uma manifestação do governo e do Estado brasileiro. “Queremos sempre trabalhar ao lado de vocês, reconhecer suas justas e valiosas contribuições para o desenvolvimento econômico, tecnológico e social do país. O que os senhores fizeram e tem feito pelo país aqui e lá fora nos enche de orgulho e augura um futuro promissor para o Brasil”, previu.

 

A presidente substituta da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Maria Luisa Campos Machado Leal, explicou que a Rede Diáspora tem o objetivo de integrar pessoas e criar uma rede de cooperação. “O Brasil vive um momento importante de política industrial, um esforço de reposicionar a nossa indústria. Temos desafios de fortalecer nossas empresas que perderam competitividade e de criar competências que atualmente não temos no Brasil. Para isso, precisaremos contar com investimentos em inovação e esse conhecimento dos brasileiros que vivem no exterior será fundamental”, destacou.

 

Um fator que chamou a atenção da presidente substituta da ABDI foi o fato de cinco dos seis premiados terem feito parte de sua formação (graduação e mestrado) no Brasil. Um em Brasília, um em Pernambuco, um do Paraná e dois de São Paulo. Maria Luisa admitiu que chegou a imaginar que os premiados seriam pessoas que tiveram sua vida acadêmica toda realizada fora do Brasil. “Esses dados demonstram uma excelência no Brasil, uma capacidade de formar pesquisadores e profissionais. O 1º Prêmio Diáspora mostra a qualidade da formação acadêmica no Brasil e prova que conseguimos formar talentos que estão espalhados pelo mundo em posição de destaque”, reconheceu.

 

O diretor de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (SCTIE/MS), Antônio Carlos Campos de Carvalho, destacou outra curiosidade com relação aos premiados. Dos seis trabalhos, pelo menos cinco são de áreas da saúde. Para ele, o dado demonstra a importância do tema não só para o desenvolvimento cientifico, mas também para o desenvolvimento econômico do país. “É fundamental que a gente possa contar com essa inteligência que está fora do país e convivendo com sistemas bastante ágeis de transferência de conhecimento do setor público para o privado e do setor acadêmico para o industrial. Queremos não só transferir a tecnologia, mas também produzir a tecnologia no nosso país e exportá-la.”

 

Premiados

 

Categoria “Profissionais do Ano”

Na área de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) os finalistas foram: Bernardo Scheinkman, Celso Correa Batalha, Vanessa Noronha Tölle, Vitor Fernando Pamplona e Duilia Fernandes de Mello. “Quero agradecer ao Brasil pelo investimento feito na minha educação. Estudei em universidades públicas, fui bolsista da Capes”, reconheceu a vencedora Duilia Fernandes de Mello que trabalha com pesquisas na cidade de Maryland nos EUA.

 

Duilia já foi mentora de mais de 40 alunos de todas as regiões do Brasil no Ciência Sem Fronteiras. “Eles são muito entusiasmados, sempre com um sorriso. Espero que este prêmio inspire novas crianças a serem cientistas. Tenho certeza que todos eles irão contribuir para melhorar, transformar e globalizar a sociedade brasileira”.

 

A profissional do ano em TIC revelou que o lema dela é mudar o Brasil estudante por estudante. “Vou continuar fazendo isso mesmo de longe. Dedico este prêmio a todos os estudantes universitários brasileiros espero que eles continuem batalhando, pois é recompensador trabalhar no que gostamos de fazer”, declarou.

 

Ainda na categoria “Profissionais do ano” na área de Complexo de Saúde tiveram cinco finalistas: Cláudio Antônio Pinheiro Joazeiro, Ivan Gláucio Paulino Lima, Luciane Regina Cavalli, Paula Raffin Pohlmann, Rogério Vivaldi Coelho.

 

O vencedor na categoria foi Cláudio Antônio Pinheiro Juazeiro que atua na cidade da Califórnia nos EUA. “Fico muito agradecido e honrado em receber este prêmio. Foram muitos anos de investimento e de trabalho. Espero que meu conhecimento possa ajudar a promover a inovação e o desenvolvimento dos medicamentos e do complexo de saúde no Brasil”.

 

Para Joazeiro, nos últimos cinco anos o Brasil deu um importante salto qualitativo na área de medicamentos. Para ele o país pode vir a se tornar um player do setor, mas segundo ele, ainda tem muito trabalho a ser feito. “Meu sonho é que com o trabalho que eu pude realizar ajude a criar uma economia baseada no conhecimento de forma que gere empregos, riquezas por meio de transferências tecnológicas”, afirmou aproveitando para agradecer ao governo brasileiro o reconhecimento.

 

“O trabalho que eu e muitos outros colegas temos feito para mudar a realidade de formação no Brasil está pela primeira vez sendo oficialmente reconhecido e comemorado. E isso é muito importante, nos da motivação saber que de alguma forma estamos contribuindo para mudar o nosso país”, comemorou.

 

Categoria Destaques da Rede Diáspora Brasil

Os finalistas desta categoria foram: Cristina Caldas Ramos, Eduardo Couto e Silva, Eliseu Ortega de Oliveira, James P. Locke, Margarise Correa e Marta Martins Devito. Os vencedores foram: Cristina Caldas Ramos que vive em Massachusetts e Eliseu Ortega de Oliveira que reside em Washington-DC.

 

“É um orgulho enorme de conhecer brasileiros que se destacam mundo a fora. Todos têm em comum um desejo de ajudar a desenvolver e transformar o Brasil. Desejo que o Brasil possa conhecer todos esses talentos. Posso dizer em nome das Redes Diáspora do exterior que estamos prontos para ajudar o nosso país no que for preciso”, declarou Cristina Caldas Ramos.

 

“Este reconhecimento não é um merecimento pessoal. Eu dedico este prêmio aos meus compatriotas brasileiros que vivem em Washington-DC. Muitas das respostas das necessidades prementes residem na construção de soluções criativas, duráveis e eficazes fundamentadas na colaboração mútua entre as nações. Obrigado pelo reconhecimento do nosso trabalho”, afirmou Eliseu Ortega de Oliveira.

 

Categoria Menções Honrosas Diáspora Brasil

Os finalistas desta categoria foram: Fernanda Viegas, José Almeida, José Nelson Onuchic, Lea T. Grinberg, Marcelo Gleiser, Marcelo Nóbrega, Marcia Castro, Michel C. Nussenzweig, Ramon de Paula. Os vencedores foram Marcelo Nobrega que mora em Illinois e José Nelson Onuchic que atualmente reside no Texas.

 

Marcelo Nobrega fez questão de reconhecer que o que o levou a iniciar a carreira acadêmica nos EUA e ter a oportunidade de se estabelecer por lá foi a visão inovadora de seus pais. Depois que se formou em medicina na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) os pais de Marcelo bancaram a oportunidade dele passar seis meses nos EUA trabalhando num laboratório.

 

Naquela época não tinha nenhum programa como o Ciência Sem Fronteiras, não tinha essa noção de que se podia mandar estudantes para fora do país, nem existia bolsa plena de doutorado. O meu sucesso profissional serve para dar a noção do fruto que o país irá colher depois, com todo o investimento que está sendo feito no Ciência Sem Fronteiras”, previu.

 

Nobrega aproveitou a entrega do prêmio para fazer uma sugestão. “Acredito que agora poderiam pensar num “Rede Filhos Pródigos” um sistema que vai trazer de volta um monte de brasileiros que está fora do país. Conheço muitos que querem voltar e aguardam melhores condições para isso”, revelou.

 

O outro vencedor da categoria Menção Honrosa foi José Nelson Onuchic. Membro das academias brasileira e americana de ciências, Onuchic revelou uma curiosidade. “É muito interessante como o intercâmbio com os estudantes brasileiros despertam a curiosidade dos alunos americanos no Brasil. Quero agradecer por este prêmio é uma honra está aqui e espero poder contribuir muito ainda com o meu país”, finalizou.

 

Fonte: Brasil Maior

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